Co-criação ou imposição?
A diferença entre uma consultoria que transforma e uma que entrega relatório
A diferença entre uma consultoria que transforma e uma que entrega relatório
O modelo tradicional de consultoria tem uma estrutura conhecida: time externo chega, entrevista pessoas, consolida dados e entrega um documento bonito. Conteúdo correto, mas no fim do dia, conteúdo engavetado.
Quando uma organização contrata uma consultoria, ela está pedindo uma análise, uma recomendação e às vezes uma implementação. O desafio posto é claro: como fazer um trabalho de consultoria ter aderência ao contexto da organização?
Vale considerarmos como driblar essa barreira. E não é à partir de um relatório construído de fora para dentro — talvez tecnicamente correto, mas sem legitimadade no contexto interno da organização (cultura, falta de consenso, falta de ownership).
Aqui entra o assunto deste texto, a co-criação.
Não é fazer o cliente se sentir ouvido, não é apresentar uma solução pronta e pedir validação. É incomodar com perguntas e questionamento, é entender que o consultor entra em um projeto sem todas as resposta e que o cliente conhece dimensões do problema que ele ainda não vê.
Com isso, em vez de imersão seguida de entrega, o processo vira uma construção contínua, onde o cliente não aprova, mas contribui.
O que muda no resultado
Quando trabalhamos com a Fundace numa transição de ERP, mapear processos sem envolver as equipes teria gerado uma documentação correta, mas operacionalmente órfã. A escolha foi outra: cada área participou ativamente da construção dos fluxos, ou seja, as pessoas que iam usá-los ajudaram a construí-lo.
Para uma implementação bem sucedida, foi necessária ouvir, mostrar valor, rever conceitos prévios que tínhamos — tudo com o intuito de empoderar a equipe para que, finda a consultoria, ela tivesse continuidade e sustentação pela própria organização.
Transformação de negócio
Existe uma tensão real entre entregar logo e transformar de verdade. A pressão por resultados rápidos empurra para o modelo de imposição, eficiente no curto prazo e de fácil gerenciamento.
Organizações, entretanto, não mudam por relatório, mudam quando as pessoas entendem o porquê da mudança, participaram da solução, e se sentem responsáveis pelo resultado.
Esse é o trabalho mais difícil. É também o único que dura.