Existe um equívoco recorrente que contamina boa parte dos projetos de transformação organizacional: a confusão entre sintoma e causa.
Uma fundação chega até nós dizendo que “os processos são lentos”. Uma empresa reclama que “a equipe não se comunica bem”. Um gestor aponta que “o time não tem foco”.
Todos estes casos são descrições, sintomas. Não são diagnósticos, no sentido estratégico.
Rumelt, em Good Strategy Bad Strategy (recomendamos fortemente a leitura_, é preciso: a parte mais difícil do trabalho estratégico é o diagnóstico. O ponto aqui é o fato que um diagnóstico errado leva a uma solução errada..
O problema com a análise por sintomas
Quando a Gemini Sistemas nos procurou, tinha duas demandas claras: documentar o sistema ERP deles e estruturar a área comercial. A razão disto era supostamente simples: crescer para ampliar equipe e poder crescer mais. Não um diagnóstico ou estratégia, um objetivo.
Estes pontos foram abordados. Mas dentro de um contexto maior: o grande foco da Gemini no atual período foi definido como prestar um serviço de excelência para clientes. A estratégia comercial, inicialmente de vendas, passou a ser de relacionamento com clientes. O manual do usuário passou a ser um veículo de autonomia de usuários.
Com esta visão clara do contexto organizacional, iniciativas e sua priorização torna-se um trabalho mais direto. E o resultado aparece.
No caso, o resultado foi um crescimento de mais de 60% do faturamento em 15 meses.
O que um diagnóstico estratégico requer
Um diagnóstico estratégico começa pela recusa de aceitar a narrativa apresentada como ponto de partida.
Não porque os gestores estejam errados — em geral, percebem o problema com precisão. Mas porque quem está dentro da operação, invariavelmente, tem um víés conceitual inerente à participação na organização. Vê o problema com as categorias que o problema mesmo criou.
O trabalho diagnóstico exige distância analítica e imersão ao mesmo tempo. Escuta ativa das lideranças, mas também das camadas que executam. Análise documental, mas também observação do que não está documentado: as exceções, os workarounds, os processos informais que sustentam a operação sem que ninguém perceba.
Diagnosticar é ouvir tudo e traduzir diversas falas e linguagens para uma uma estrutura coerente que revele onde, de fato, está o nó.
Por que isso importa na prática
A consequência de pular o diagnóstico: projetos que entregam o que foi pedido, mas não resolvem o que precisava ser resolvido. Relatórios que ficam na gaveta. Implementações que não colam.
Na Lume, nenhum projeto começa com solução. Todo projeto começa com perguntas. Com a disposição de dizer ao cliente, quando necessário: o problema que você descreveu não é o problema que precisa ser resolvido.
Isso exige confiança. É, também, onde começa o trabalho que de fato transforma.